Os trabalhadores precisam ser ouvidos, diz psicóloga

“A saúde do trabalhador precisa ser vista de maneira integral”, defendeu a psicóloga Elisa Ferreira, durante o 2º Seminário de Saúde do Trabalhador realizado pelo Sindes.

Ela destacou que a angústia, a insegurança, o desânimo e o desespero são alguns sentimentos que marcam o cotidiano do trabalhador adoecido. “A sociedade capitalista vai contra o que é humano, que é sentir prazer, satisfação”. Para a psicóloga, fatores como quando a potencialidade do trabalhador não é considerada, quando há um sub-aproveitamento do seu potencial, também podem ser causas de adoecimento deste trabalhador.

Elisa lembrou que no Brasil não há uma política de prevenção na Saúde, sendo que 6% de verbas vão para a saúde preventiva e 56% vão para os hospitais. Chamou a atenção para doenças como depressão e alcoolismo que podem ter origem no trabalho, mas que há dificuldade de se criar o nexo. Já, devido a uma grande luta já feita, doenças como as LER/DORT já são consideradas como doenças ocupacionais. “Quando se trata de um transtorno mental, por exemplo, é muito mais difícil de se criar o nexo. Mas, esta é uma luta que precisa ser feita. É preciso ocupar espaços de discussão. Trata-se de uma alteração na cultura no dia-a-dia”.

A palestrante expôs quadros que podem levar o trabalhador a adoecer como um acidente de trabalho e mudança de setor e posição no trabalho – ascensão e/ou queda. “As pessoas buscam muito a perfeição, a aprovação dos outros. Quando isso não acontece não lidam bem com a situação. Devemos questionar qual o problema com a imperfeição? Muitos se alienam de si em detrimento do sentimento do outro e acabam adoecendo”.

Elisa também citou alguns geradores de sofrimento no trabalho como: ambientes que impossibilitam a comunicação espontânea e a manifestação de insatisfação e quando as sugestões dos trabalhadores não são ouvidas. “Os trabalhadores precisam ser ouvidos”, defendeu Elisa. Outras causas que podem levar ao adoecimento do trabalhador são a jornada de trabalho longa e a imposição do ritmo de trabalho intensos e/ou monótonos demais. A psicóloga apontou ainda manifestações nos trabalhadores que estão adoecidos citando as limitações na vida diária, problemas na vida sexual, falta de higiene e de cuidado com si mesmo, distúrbios do sono, dificuldade de atenção, isolamento, dificuldade de comunicação, entre outros.

É preciso conhecer a realidade dos trabalhadores

Elisa defendeu que é necessário os sindicatos conhecerem suas bases, mapearem os locais d etrabalho, realizarem pesquisa para saber o grau de sofrimento que atinge os trabalhadores, entre outros métodos que podem ajudar na busca de soluções e para combater as doenças de trabalho. “A pesquisa é essencial para conhecer a base e a coleta de dados. Estes dados podem ser usados tanto nas negociações, quanto para prevenir e combater as doenças causadas pelo trabalho. Esgotadas as negociações, outro caminho é acionar o Ministério Público do Trabalho, as Delegacias Regionais do Trabalho e as outras instâncias competentes”, enfatizou a palestrante.

Texto e foto: Marcela Cornelli, jornalista e diretora do Sindes

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