Mídia independente sobrevive de iniciativa de jornalistas

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Clarissa Peixoto, jornalista filiada ao Sindes, fala sobre a criação do Portal Catarinas – foto: Ana Carla Pimenta

O jornalismo independente que possa enfrentar o discurso da mídia hegemônica foi o tema da tarde nesta quinta-feira (13) no 4º Seminário Unificado de Imprensa Sindical, realizado em Curitiba. Quatro modelos de comunicação alternativa foram apresentados: Brasil de Fato, Terra Sem Males, Agência Pública e Portal Catarinas. Em todos os casos, os jornalistas destacaram a necessidade de furar a barreira da pauta sindical e a resistência de determinadas categorias. Por outro lado, eles identificam que as maiores dificuldades para o crescimento do jornalismo independente são o financiamento, a distribuição e abrangência de materiais e conteúdos.

O Terra Sem Males foi representado por sua editora, Paula Zarth Padilha. Ela contou que o portal foi criado pelo repórter fotográfico Joka Madruga e ganhou visibilidade a partir de fevereiro de 2015 com a cobertura da greve dos educadores do Paraná. O Portal busca dar visibilidade à pauta jornalística de esquerda, dos movimentos sociais e sindicais. Além do site, o Terra Sem Males também tem edição impressa com pautas temáticas. Ele se estrutura na colaboração de jornalistas e compartilhando conteúdos que dão visibilidade às lutas e histórias de vida das pessoas.

“A gente se uniu e criou um mundo paralelo que o dia a dia do trabalho na pauta sindical não nos permitia. O que a gente busca é fazer jornalismo independente e mostrar cada vez mais as lutas”, esclarece Paula.

No Paraná ainda há a experiência do Brasil de Fato regional. Ele é coordenado por Pedro Carrano, que tem também uma coluna de crônicas no Terra Sem Males. O jornalista contou que o Brasil de Fato nasceu em 2003 e a partir de incentivo do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. O objetivo era dar maior visibilidade dos movimentos sociais, elogiando as medidas importantes do Governo Federal, criticando os erros, pautar assuntos não abordados pela grande mídia, sem abrir espaço para setores conservadores. Por outro lado, Carrano entende que o projeto não teve adesão massiva da esquerda. O jornal, com o tempo, foi obrigado a fazer transição de jornal semanal e pago para um modelo de massa, entregue de forma gratuita e se expandindo para edições estaduais.

“A gente aposta na distribuição do jornal buscando atingir a classe trabalhadora com a distribuição em terminais, movimentos sociais e querendo avançar em sindicatos, mas que seja uma ferramenta de trabalho de base”, pondera Carrano.

Outra iniciativa de jornalismo independente e segmento é promovido pelo Portal Catarinas. O veículo se identifica como uma experiência alternativa aos meios tradicionais de comunicação. O Catarinas busca vencer a barreira dos sindicatos, ou seja, discutir pautas mais abrangentes. Seu foco principal é a pauta feminista e nos direitos humanos.

“A gente se lançou na ideia do financiamento coletivo e tivemos grande dificuldade. Para nossa surpresa, tivemos apoio grande de sindicalistas e jornalistas”, comemora Clarissa Peixoto, do Portal.

Mais conhecido e único projeto com recursos financeiros vindos além do meio sindical e social, a Agência Pública é um site que aposta nas parcerias. Fundada há cinco anos e patrocinada pela Fundação Ford, a Agência teve início com os documentos da WikiLeaks, como conta a jornalista Marina Dias. Segundo ela, como os jornais não queriam os documentos de Edward Snowden, eles foram divulgados via Agência. Seu conteúdo é republicado por pelo menos 70 entidades, buscando sempre a grande reportagem. Além disso, a agência ainda busca os grandes veículos, com o objetivo de ter maior abrangência.

“Nós fizemos um mapa da mídia independente com o intuito de aproximar os conteúdos e trocar experiências. Eu acredito que há espaço para todo mundo”, aponta Marina Dias.

Fonte: Portal Terra sem Males
Produzido por Manoel Ramires

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